04/08/2026
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UE enfrenta crise imigratória e pressão da ultradireita

UE enfrenta crise imigratória e pressão da ultradireita

Após classificar como “inaceitável” a situação em Ceuta, tomada por dezenas de milhares de imigrantes na semana passada, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, defendeu mais colaboração com a Espanha e mais recursos para o Marrocos. A declaração ocorreu nesta segunda-feira (3), depois de um fim de semana de atritos públicos entre integrantes do bloco.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, pediu mais solidariedade aos colegas e lembrou que seu país recebeu, nos últimos cinco anos, menos da metade de imigrantes em comparação com a Itália: 234.760 contra 478.600. Sánchez tentava conter uma onda de desinformação e uma ofensiva política liderada pela primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni. O governo italiano propôs a exclusão da Espanha do Espaço Schengen e impôs restrições unilaterais entre os países.

A ação de Meloni resultou em uma carta assinada por 22 dos 27 líderes da União Europeia pedindo uma reunião de emergência e uma resposta mais dura e coordenada para a crise. No texto, há uma crítica indireta à política imigratória espanhola, que supostamente incentivaria a entrada de imigrantes irregulares no bloco. A pedido dos dois lados, um encontro de ministros do Interior foi marcado para esta terça-feira (4), precedido por uma reunião de embaixadores.

Apesar da tentativa de Von der Leyen de guiar a pauta, a expectativa para o diálogo não é positiva. Analistas preveem que Meloni deve defender a liberação rápida de centros de detenção terceirizados, como o que construiu na Albânia, que foi proibido pela Justiça italiana e depois pela europeia. Um pacote recém-aprovado sobre imigração endureceu o controle no continente e prevê esse tipo de instalação.

A posição de Meloni ocorre mesmo após o apoio espanhol na crise de Lampedusa, em 2023, quando mais de 10 mil imigrantes chegaram à ilha italiana, que é território Schengen, diferente de Ceuta e Melilla. O programa de regularização de imigrantes na Espanha também não fortalece o argumento italiano: o projeto recebeu mais de um milhão de inscrições, mas beneficia principalmente latino-americanos e exclui quem entrou ilegalmente no país.

Na imprensa europeia, a leitura é que Meloni se prepara para as eleições de 2027 com popularidade em queda. Além de derrotas legislativas recentes, ela vê o crescimento do militar Roberto Vannacci, que defende deportação em massa. Atacar Sánchez é um movimento político que está ao alcance e incomoda a esquerda italiana, que vê o premiê espanhol como referência.

A crise também atraiu outros líderes, como a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, que conduz uma política anti-imigratória dura. Nas redes sociais, críticas a Sánchez vieram de Donald Trump, do vice J. D. Vance, do presidente argentino Javier Milei e do ministro de Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir. O embaixador de Israel na ONU, Danny Danon, questionou por que a Espanha “ainda mantém colônias na África”, conceito que historiadores dizem não se aplicar a Ceuta e Melilla.

Em Londres, o líder da ultradireita britânica, Nigel Farage, prometeu a “maior operação no Canal da Mancha desde a Segunda Guerra” para coibir a chegada de imigrantes ilegais. O Reform UK, partido de Farage, aparece atrás nas pesquisas pela primeira vez em meses, com o Partido Trabalhista de Andy Burnham de volta à liderança.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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