O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira (27) que os próximos passos na agenda econômica do país incluem a redução dos gastos obrigatórios, o endurecimento do arcabouço fiscal e a modernização do Estado. Em entrevista à Rádio Jornal de Pernambuco, ele disse que, com a queda da taxa básica de juros, haverá “um boom” de investimentos no Brasil.
“Qual é o próximo passo? Diminuir o gasto obrigatório, manter a nossa regra de gasto do arcabouço, ou mesmo endurecê-la um pouco mais para dar esse sinal de credibilidade. E modernizar o Estado. Nós temos que acabar com a declaração de imposto de renda, as notas fiscais têm que ser unificadas na nova reforma tributária, sem trabalho para as pessoas, sem o Estado ser um estorvo. O Estado tem que ser solução, tem que ser útil para as pessoas”, declarou.
Durigan avaliou que o governo precisa “seguir transformando regras internas” para controlar os gastos obrigatórios. Caso contrário, segundo ele, o presidente “apertará o botão”, em referência ao aumento das despesas não discricionárias.
Durante a entrevista, o ministro chamou o presidente da Argentina, Javier Milei, de “palhaço”. A declaração foi uma resposta a falas de Milei, que disse confiar em Flávio Bolsonaro (PL) para “conseguir parar a escória socialista”.
“Não dá para entrar na onda que o Brasil vai virar o apocalipse e vai ter problema”, afirmou Durigan, ao comentar os indicadores positivos da economia, como a mínima taxa de desemprego. Ele ponderou que desafios como juros elevados e endividamento ainda não foram resolvidos.
Com o custo do crédito alto, a economia tende a desacelerar, mas não há projeção de recessão. Para o ministro, falar em recessão é exagero. “Me parece que eleições são usadas para forçar a barra”, disse.
Durigan também falou sobre o cenário fiscal. Ele afirmou que há um desafio de trajetória nas contas públicas, mas que não é urgente nem iminente. “Não é um desafio urgente, iminente, que vai quebrar o País ano que vem, porque não se trata disso. Se trata de, prontamente, de maneira urgente, apresentar soluções que mostrem uma trajetória do gasto público brasileiro que seja mais sustentável”, explicou.
O ministro garantiu que a situação fiscal será melhor para o próximo governo do que a encontrada por ele e pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo ele, o Congresso tinha uma lista de “pautas-bomba” para votar neste ano, mas não as aprovou “graças ao meu trabalho aqui em Brasília”.
Ele repetiu que enviará o Orçamento de 2027 sem surpresas e que os gastos públicos, incluindo os da Secretaria de Comunicação Social (Secom), seguem os limites fiscais e estão sujeitos a bloqueios orçamentários.
