27/07/2026
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Faria Lima rejeita Flávio Bolsonaro e aposta em Caiado

Faria Lima rejeita Flávio Bolsonaro e aposta em Caiado

O mercado financeiro da Faria Lima, em São Paulo, torce pela desistência da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. A preferência do setor, que apoiou Jair Bolsonaro (PL) por sua política econômica liberal, não se estende ao filho do ex-presidente.

Gestores, economistas e CEOs ouvidos pela reportagem, sob condição de anonimato, afirmam que Flávio enfrenta enorme rejeição. Poucos bolsonaristas convictos ainda o apoiam, mas a maioria espera seu desembarque. A avaliação é que, apesar de competitivo nas pesquisas, ele não resistirá ao teste nas urnas, e a expectativa é de vitória de Lula no segundo turno.

Com a desistência de Flávio, abriria-se espaço para candidatos considerados mais estáveis, como a dobradinha Ronaldo Caiado e Gilberto Kassab (PSD). Caiado é bem avaliado por seu perfil liberal na economia e pela política de segurança pública. Também são cotados os empresários Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo).

Diversos fatores erodiram a imagem de Flávio no mercado. Ter mentido sobre sua proximidade com Daniel Vorcaro, do Banco Master, a quem pediu dinheiro, pesa negativamente. As contradições ao explicar o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre a vida do pai, aprofundaram as desconfianças. Por haver um inquérito sobre o caso, há desconforto em apoiar um candidato alvo de investigações.

A percepção é que paira sobre Flávio um “telhado de vidro” que pode quebrar a qualquer momento, com o temor de que surjam novas mensagens de WhatsApp ou vídeos revelando segredos. O maior receio é que alguma denúncia seja guardada para o segundo turno, garantindo a reeleição de Lula.

O setor financeiro também avalia que Flávio não tem habilidade política para formar alianças, preferindo rivalizar a negociar. O embate público com a madrasta Michelle Bolsonaro (PL) é visto como um erro estratégico. Sua candidatura estaria rachando o próprio PL, sem apoio do PP e sem conseguir a senadora Tereza Cristina (PP-MS) como vice. Ele está afastado de figuras estratégicas próximas ao pai, como o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), que é o candidato preferido do setor.

Para a Faria Lima, um erro fundamental foi os Bolsonaro terem preterido Tarcísio em favor de Flávio. O senador Rogério Marinho e Daniella Marques têm circulado pela região apresentando Flávio como o único capaz de derrotar Lula, mas sem convencer a audiência.

Devido à fragilidade de Flávio, a análise do cenário político já precifica a vitória de Lula. O Ibovespa está abaixo da máxima, o dólar acima de R$ 5 e os juros futuros em alta. Os títulos do Tesouro estão nos maiores juros desde o governo Dilma Rousseff, com as NTNBs (Tesouro IPCA+) oferecendo rentabilidade de cerca de 8% mais inflação e os prefixados próximos de 15% ao ano.

A dívida pública bruta do país, que era de 69,34% do PIB quando Dilma deixou a Presidência, hoje está em 81,1%. Sem perspectiva de forte ajuste fiscal, o mercado precifica uma taxa Selic de 14,75% ao ano em quatro anos, acima dos atuais 14,25%. Para a Faria Lima, isso indica a continuidade da política econômica atual.

Além da questão fiscal, há preocupação com as próximas indicações ao STF. Se reeleito, Lula teria outras três indicações, o que lhe daria maioria no plenário. Para outra parte da Faria Lima, a eleição ainda não movimenta o mercado, que foca na guerra do Irã e seu impacto no preço do petróleo.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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