03/08/2026
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Milly Lacombe: Xuxa e a liberdade de envelhecer

A colunista Milly Lacombe, do UOL, publicou nesta semana um texto analisando a volta de Xuxa aos palcos com a turnê “O Último Voo da Nave”. Para a colunista, a reação negativa do público ao corpo da apresentadora, de 63 anos, escancara uma visão machista e misógina da sociedade.

Xuxa voltou a cantar para a mesma geração que a acompanhou no “Xou da Xuxa”, exibido pela Globo entre 1986 e 1992. Essa audiência hoje tem entre 40 e 50 anos. Na época, uma jovem de 23 anos dançando de colã era algo natural. Agora, a mesma apresentadora, já envelhecida, enfrenta críticas por ousar repetir a performance.

Segundo a coluna, a sociedade aceita a sexualização de uma mulher jovem, mas espera que uma mulher de mais de 60 anos se recolha ao espaço privado. Xuxa, assim como Madonna, decidiu desafiar essa regra. Ela usou o mesmo colã, reuniu as paquitas e levou seu show aos estádios, lotando as apresentações.

O incômodo gerado pela atitude, na visão da autora, é a liberdade do corpo feminino envelhecido. Ela argumenta que as sociedades historicamente tentam controlar a liberdade das mulheres, e que a reação ao corpo de Xuxa é feita do mesmo material que aceitou o corpo de 23 anos de colã entretendo crianças: machismo e misoginia.

No segundo show, Xuxa optou por esconder a virilha, que causou furor na primeira apresentação. A colunista compara essa reação à hipocrisia de uma estrutura de poder masculinista, citando casos como os de Epstein e Vorcaro como exemplos de acordos secretos feitos à calada da noite. Por fim, a autora conclui que, apesar do ódio, o amor ainda fala mais alto.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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