O pré-candidato à Presidência da República e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta segunda-feira, 1º, que pretende formar uma maioria de direita no Congresso Nacional com quórum para aprovar mudanças constitucionais. A declaração foi feita durante o evento Eloos Itatiaia, em Belo Horizonte.
Segundo o senador, uma maioria parlamentar alinhada ao governo de direita evitaria “decisões monocráticas” que comprometem projetos de infraestrutura, como a Ferrogrão. Flávio também defendeu uma “redução drástica” no número de ministérios e cargos da máquina federal.
O pré-candidato citou questões como demarcação de terras indígenas, áreas de preservação ambiental e licenciamentos ambientais. Para ele, esses temas são afetados por insegurança jurídica. “Com um Congresso majoritariamente de centro-direita, alinhado com um presidente da República de centro-direita, nós vamos conseguir dar essa previsibilidade”, disse.
Flávio afirmou que, em uma rodada internacional recente, ouviu de investidores que eles deixam de investir no Brasil por causa da insegurança jurídica, da corrupção e da imprevisibilidade. “Não dá para fazer um plano de negócio de 10, 20 anos se, a cada ano, muda a lei e, a cada humor de um ministro do Supremo, as decisões acabam interferindo no planejamento tributário”, declarou.
O senador também criticou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo ele, o agronegócio está endividado por causa da “gastança desenfreada” da gestão petista. Flávio afirmou que o governo busca elevar a arrecadação com novos tributos ou aumento de impostos. Para ele, a carga tributária já ultrapassou 32% do PIB e a dívida pública se aproxima de R$ 10 trilhões.
Além de reduzir ministérios, Flávio defendeu desburocratizar a máquina pública e vender participações do governo federal em empresas privadas. “O primeiro passo é dar o exemplo: reduzir a quantidade de ministérios de forma drástica”, disse. Ele lembrou que, no primeiro trimestre do governo Bolsonaro em 2019, foram cortados mais de 20 mil cargos em comissão.
O senador defendeu ainda reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados e acelerar a exploração de petróleo na Margem Equatorial. Sobre o petróleo, Flávio propôs rever modelos de leilão para elevar a arrecadação, com cobrança maior de outorga inicial. Segundo ele, os recursos poderiam ser usados para abater juros da dívida e financiar infraestrutura.
Flávio fez uma ressalva de que a redução de gastos públicos não deve ocorrer às custas da população mais vulnerável. “A gente tem que crescer esse bolo para poder garantir que o Brasil tenha previsibilidade”, afirmou. Ele também defendeu o aproveitamento de ativos da União para gerar caixa, citando imóveis federais avaliados em mais de R$ 1 trilhão.
