30/07/2026
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Defesa de Flávio alega que vídeo com IA de Bolsonaro não engana eleitor

Defesa de Flávio alega que vídeo com IA de Bolsonaro não engana eleitor

Advogados da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) defenderam junto ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) o uso de um vídeo de Jair Bolsonaro (PL) feito por inteligência artificial e exibido na convenção eleitoral de seu partido, realizada no sábado (25), sob o argumento de que a gravação não pretendeu enganar o público ou espalhar conteúdo falso.

O documento assinado pela ex-ministra e advogada Maia Claudia Bucchianeri responde a uma representação por propaganda eleitoral antecipada e uso irregular de inteligência artificial contra o PL e Flávio Bolsonaro apresentada pela Federação Brasil da Esperança, da qual o PT faz parte, no domingo (26).

Os denunciantes pedem, preventivamente, que o trecho da transmissão seja removido das redes e não possa mais ser divulgado. No julgamento do mérito da ação, solicitam que a Justiça reconheça que o vídeo é ilícito e aplique multa de R$ 30 mil para cada publicação e por representado.

Na ação, os partidos dizem que o vídeo com o avatar sintético de Bolsonaro apresenta “inequívoco conteúdo eleitoral” e que a IA foi utilizada para potencializar “o impacto emocional da mensagem”, o que lhe conferiu “elevado poder de persuasão”. De acordo com a federação, a veiculação do conteúdo “macula a paridade de armas”, o que justificaria a ação da Justiça Eleitoral.

Após sorteio, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, se tornou o relator da ação, cabendo a ele a decisão inicial sobre a regularidade da conduta. O ministro poderá enviar automaticamente a decisão ao plenário para validação, ou fazê-lo apenas se houver apresentação de recurso.

Ao jornal O Estado de S. Paulo, Kassio Nunes Marques disse, depois da convenção e antes de ser sorteado relator, que “usar IA para fazer campanha é lícito, mas não pode usar para prejudicar alguém”. Como o TSE ainda avaliaria o caso, afirmou que não comentaria o caso específico.

O vídeo exibido na convenção tem 46 segundos e traz a imagem de Bolsonaro com um fundo branco. O ex-presidente se dirige ao público: “Isso que vocês estão vendo aqui não sou eu. Isso é uma simulação da minha imagem e da minha voz feita com inteligência artificial. Como todos aqui sabem, eu estou preso e calado por uma decisão injusta e arbitrária, baseada em algo que eu nunca fiz”.

“Por isso, peço que vocês recebam de braços abertos a pessoa que escolhi para me substituir, sangue do meu sangue, meu filho Flávio. Vem com fé, o Brasil tem futuro, e o futuro é Flávio Bolsonaro presidente”, termina.

A defesa de Flávio argumenta que, apesar de a resolução do TSE proibir deep fake na propaganda eleitoral, o vídeo de Bolsonaro não se trata disso porque não tinha a intenção de enganar o público e nem continha mensagem ofensiva.

“A deep fake tem a enganosidade como mote, reveste-se de intuito ofensivo e tem por padrão introduzir ou manipular digitalmente registros reais, aprofundando o induzimento em erro. […] O público foi avisado de que não se tratava de presença física, transmissão ao vivo ou gravação autêntica de Jair Bolsonaro”, diz a peça da defesa.

Para os advogados eleitorais de Flávio, a proibição de conteúdo artificial pelo TSE se aplicaria somente a mensagens que foram manipuladas para espalhar fatos inverídicos ou descontextualizados que tenham potencial de desequilibrar a disputa, como determina a legislação eleitoral.

“O avatar reclamado nada mais é do que a versão moderna e tecnológica daquilo que sempre foi usado em eventos partidários e eleitorais como bonecos de papel, imagens em cartazes e até em máscaras, camisas, com mensagens de apoio”, diz a defesa.

Bucchianeri e os demais integrantes da defesa também contestam que o vídeo se trataria de propaganda antecipada, veiculada antes do início da campanha, em 16 de agosto. Os advogados dizem que a gravação foi exibida somente no evento intrapartidário, uma convenção do PL fechada a apoiadores, filiados e delegados, e não trouxe pedido explícito de voto.

“A propaganda ‘para dentro’, ‘intrapartidária’, realizada nas convenções partidárias ou nos 15 dias que a antecedem é lícita e faz parte do próprio estágio político de definição de candidaturas”, diz a peça.

A peça também traz exemplos de posts de apoiadores de Lula (PT) que usam inteligência artificial e de propagandas do PT, da eleição de 2018, em que o atual presidente indica Fernando Haddad (PT) como seu candidato substituto para argumentar que transferência de capital político não é algo ilegal.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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