O debate entre Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) trouxe um tom de reprise do confronto de 2022, mas também serviu como um antecipação do que pode ser a disputa presidencial de 2030. Ambos são vistos, hoje, como os nomes mais fortes para representar os campos bolsonarista e lulista na próxima eleição nacional.
Durante o encontro, os dois candidatos ao governo de São Paulo nacionalizaram o debate em diversos momentos. O governador provocou o ex-ministro da Fazenda sobre os gastos fiscais e classificou o arcabouço fiscal, principal projeto da área econômica do governo federal, como “frouxo”. Ele também lembrou a crise econômica do governo Dilma Rousseff e questionou se não seria necessária uma mudança em Brasília.
Haddad rebateu com números macroeconômicos que considera pontos positivos da gestão Lula, como inflação controlada, desemprego baixo e crescimento do país. O petista também citou a relação da família Bolsonaro com o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a imposição de tarifas contra o Brasil. Referindo-se à foto de Tarcísio com boné de Trump, Haddad afirmou que o governador deveria “colocar o boné certo, o boné do brasileiro”.
O caso Master também entrou na discussão. Haddad mencionou uma suposta omissão de Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, mas Tarcísio não respondeu diretamente. O petista ainda citou o filme “Dark Horse”, que teve financiamento parcial do empresário Daniel Vorcaro, já na parte final do debate. Tarcísio, por sua vez, perguntou se Haddad faria um mea culpa sobre a Lava Jato, mas não obteve resposta.
O tom do debate foi mais duro do que o de 2022, com os dois lados atuando como representantes de seus padrinhos políticos, Lula e Flávio Bolsonaro. Haddad chamou Tarcísio de “concurseiro adepto de decoreba”, enquanto o governador afirmou que o petista dividiu palanque com uma traficante da favela do Moinho, o que irritou o ex-ministro.
Haddad criticou o programa de desestatização do governo estadual, classificando-o como “programa voraz de privatização” e “parceria com a Faria Lima”. Ele também mencionou a infiltração do crime organizado no estado e uma suposta insatisfação de Tarcísio com o ex-secretário de Segurança, Guilherme Derrite. O petista voltou a cobrar o reconhecimento do governador sobre o uso de recursos federais em obras como a remoção da favela do Moinho e as novas linhas de trem e metrô.
Tarcísio defendeu a venda da Sabesp e listou obras em diversas áreas, além de destacar a queda nos indicadores de violência. Nos temas estaduais, os dois candidatos mantiveram o tom técnico, com muitos dados e termos específicos. Em um dos momentos, Tarcísio disse a Haddad: “Eu sei que os números incomodam”, em meio a mais uma troca de farpas baseada em estatísticas.
