Pesquisa Datafolha divulgada nesta semana mostra que 59% dos eleitores brasileiros consideram que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), agiu mal ao proibir o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar. Outros 36% avaliam que o magistrado agiu bem. A parcela que não soube responder foi de 4%, e 2% disseram que ele não agiu bem nem mal.
O levantamento, realizado nos dias 22 e 23 de julho, também aponta que 59% dos brasileiros são a favor da permanência de Bolsonaro em regime domiciliar. Já 35% são contra, e 6% não souberam responder. O ex-presidente cumpre pena de 27 anos e 3 meses após condenação do STF por tentativa de golpe de Estado, entre outros crimes. Ele obteve autorização para a prisão domiciliar em março deste ano, por questões de saúde, mas com a proibição de usar celular, internet ou redes sociais, inclusive por meio de terceiros.
Segundo o Datafolha, 62% dos entrevistados concordam que Bolsonaro não deveria poder usar redes sociais durante a prisão domiciliar. Para 35%, ele deveria ter esse direito, e 3% não souberam responder. A pesquisa ouviu presencialmente 2.004 eleitores com 16 anos ou mais em 139 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Moraes proibiu as visitas de Flávio ao pai por 90 dias neste mês. A decisão também suspendeu por 30 dias as visitas dos demais familiares, vetou contatos de natureza política até as eleições e barrou a divulgação de manifestos. A medida foi tomada depois de Flávio ler, em um evento no dia 11, uma carta escrita pelo ex-presidente e anunciar que o texto seria divulgado nas redes sociais. No documento, Bolsonaro chamou Flávio de seu “porta-voz” e de candidato escolhido para representá-lo.
Moraes considerou que o episódio violou a ordem judicial que impede o ex-presidente de usar redes sociais diretamente ou por intermédio de terceiros. Ele afirmou que a fala de Flávio antes da leitura mostrava que ambos sabiam que a carta seria publicada. Entre os eleitores que votaram em Lula (PT) no segundo turno de 2022, 35% dizem que Moraes agiu mal ao proibir a visita. Já entre os que votaram em Bolsonaro, 32% avaliam que o ex-presidente não deveria usar redes sociais durante a prisão domiciliar.
Advogados, médicos e fisioterapeutas continuam autorizados a entrar na casa onde Bolsonaro cumpre a pena, em Brasília. Flávio, apesar de estar inscrito no processo como advogado do pai, ficou pessoalmente impedido de visitá-lo. A defesa de Bolsonaro recorreu e afirmou que as restrições ultrapassam a suspensão dos direitos políticos e atingem a liberdade de pensamento. Flávio chamou a medida de “ilegal, desproporcional, covarde e cruel” e acusou Moraes de tentar interferir nas eleições.
O Datafolha foi às ruas antes de o PL oficializar a candidatura de Flávio em convenção no sábado (25). O evento confirmou a centralidade do ex-presidente na campanha do filho, apesar da proibição de contato entre os dois. Uma reprodução de Bolsonaro feita com inteligência artificial apareceu no telão para pedir que os apoiadores recebessem Flávio como seu sucessor. O candidato chorou ao falar do pai e afirmou que ele é perseguido e vítima de uma farsa. O presidente argentino Javier Milei também atacou Moraes durante a convenção e reclamou de não ter recebido autorização para visitar Bolsonaro.
Na mesma rodada da pesquisa, Lula aparece com 48% das intenções de voto em um eventual segundo turno, ante 43% de Flávio. No primeiro turno, o presidente tem 40%, e o candidato do PL, 32%. A convenção do PL buscou reanimar os eleitores após uma sequência de notícias negativas para Flávio, entre elas a crise com a madrasta, Michelle Bolsonaro. Em junho, ela disse ter sido desrespeitada pelo enteado após criticar a aliança do PL com Ciro Gomes (PSDB) no Ceará. Flávio negou a acusação e pediu desculpas. A reconciliação foi anunciada em 23 de julho, quando Michelle afirmou que o perdoava e que trabalharia por sua eleição.
