A defesa de Eduardo Cunha, ex-deputado federal e ex-presidente da Câmara dos Deputados, afirmou neste domingo, 12, que ele desconhece irregularidades na tramitação de emendas parlamentares. A investigação da Polícia Federal (PF) aponta que Cunha e Valdemar Costa Neto, presidente do PL, teriam usado a mesma operadora dentro da Câmara para influenciar a destinação das emendas.
Em nota enviada ao Broadcast, sistema de notícias do Grupo Estado, a defesa declarou: “Eduardo Cunha desconhece qualquer irregularidade na tramitação das emendas. Cabe ressaltar que a própria PGR considerou prematuro o bloqueio das contas de Eduardo Cunha (…) Sua defesa rejeita a tentativa de equiparar automaticamente a legítima interlocução política ao exercício clandestino de mandato parlamentar”. A nota faz referência à Procuradoria-Geral da República.
Os advogados do ex-deputado disseram que ele não apresentou, subscreveu ou formalizou nenhuma das emendas citadas na decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). Dino determinou o bloqueio de bens de Cunha até o limite de R$ 6 milhões. Segundo a Operação Transparência, da PF, esse valor corresponde a 21 emendas parlamentares que Cunha, mesmo sem cargo eletivo, teria destinado a municípios de Minas Gerais por meio do orçamento secreto.
Na decisão de 40 páginas, Dino afirma que “evidências reunidas até o momento indicam que Eduardo Cunha atuava como um agente privado com influência política equivalente ou até superior a dos parlamentares em exercício, direcionando recursos federais sem qualquer autorização institucional”.
A equipe do ex-presidente da Câmara informou que tomou conhecimento da decisão pela imprensa. Segundo eles, até a decretação do bloqueio patrimonial, Cunha não havia sido intimado, ouvido nem chamado a prestar esclarecimentos na investigação. A defesa também afirmou que o montante de R$ 6,15 milhões corresponde ao valor global das emendas questionadas, destinadas a municípios ou outros beneficiários públicos, e que “nem mesmo a decisão imputa recebimento de qualquer vantagem a Eduardo Cunha”.
Investigação sobre Valdemar Costa Neto
A mesma operação da Polícia Federal investiga o presidente do PL, Valdemar Costa Neto. De acordo com as apurações, ele também teria utilizado a mesma operadora dentro da Câmara para direcionar emendas parlamentares. A suspeita é que ambos atuavam de forma coordenada para influenciar a liberação de recursos federais, mesmo sem estarem no exercício de mandatos eletivos. A defesa de Valdemar Costa Neto ainda não se manifestou publicamente sobre o caso.
