O ator Bruno Gagliasso, de 44 anos, precisou se afastar de casa durante as gravações do filme “Por um fio”, baseado no livro homônimo de Drauzio Varella. Na produção, que estreia em outubro, ele interpreta o irmão do médico, que morre de câncer. Para viver o personagem, o ator perdeu 24 quilos e enfrentou um forte abalo emocional.
“Olhar para os meus filhos foi dolorido. Eu chorava muito. Estava insuportável. Queria abraçar e beijar eles o tempo inteiro”, disse Gagliasso em entrevista ao videocast “Conversa vai, conversa vem”, do GLOBO. O ator afirmou que não consegue separar o trabalho da vida pessoal e leva os personagens para casa. “Não sei fazer de outro jeito”, completou.
Além de “Por um fio”, Gagliasso tem uma série de projetos inéditos. Ele será líder estudantil no longa “Honestino”, escravocrata moderno em “Corrida dos bichos” e viverá uma versão branca e de olhos azuis do herói nacional em “Makunaíma XXI”. O ator também estará na série “Rauls” e na sétima temporada de “Impuros”.
O ator também falou sobre sua primeira produção no cinema, “Clarice vê estrelas”, dedicada à filha Titi. O filme tem 80% do elenco e 90% da equipe formados por pessoas pretas. “É um filme antirracista sem falar sobre racismo. Botar essa criança preta para sonhar, mexer no imaginário e não para sofrer”, explicou. O jogador Vini Jr. entrou como produtor associado.
Gagliasso comentou ainda sobre a importância de contar a história do líder estudantil Honestino Guimarães, desaparecido político. “Se estive do lado da escória da História, também quero estar do lado certo”, disse, referindo-se ao papel de torturador que interpretou em “Marighella”.
Sobre a estética e o rótulo de galã, o ator afirmou que já perdeu papéis em novelas das oito por recusar esse tipo de personagem. “Hipocrisia dizer que não. As pessoas te encaixam onde querem”, afirmou. Ele também falou sobre o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDHA), que o acompanha desde a infância. “Não decoro texto. Estudo, entendo o sentido. O que adianta falar uma palavra sem alma?”, questionou.
Questionado sobre a adoção dos filhos na África, Gagliasso rebateu as críticas. “Amor não tem CEP. Não escolhi ir para a África para me tornar pai. Minha mulher se tornou mãe porque ela foi visitar um país e encontrou o grande amor da vida dela, que é a nossa filha”, concluiu.
