14/08/2026
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Brasileiros presos na Islândia após protesto contra caça de baleias

Brasileiros presos na Islândia após protesto contra caça de baleias

Quatro brasileiros seguem detidos na Islândia desde o dia 30 de julho, após participarem de uma ação contra a caça comercial de baleias no país. Rui Amorim, de 52 anos, Vitor Young, de 32, Victor Calixto, de 23, e Lucas Barbosa, de 28, integram a campanha internacional Operation 86, organizada pela Captain Paul Watson Foundation, grupo de proteção à vida marinha.

Os brasileiros partiram em junho com um grupo de 21 ativistas de 11 países para monitorar a atividade de caça no país nórdico. De acordo com a ONG Sea Shepherd Brasil, os ativistas interceptaram uma embarcação da única empresa da Islândia que ainda comercializa carne de baleias. As autoridades locais teriam prendido os tripulantes em águas internacionais.

A advogada da Sea Shepherd Brasil, Fernanda Perregil, afirmou que a organização tem cobrado uma interferência do governo brasileiro junto ao governo da Islândia. Segundo ela, os ofícios enviados foram respondidos, mas com a informação de que o caso está sendo acompanhado. A advogada destacou que os demais tripulantes da embarcação já foram liberados.

Os quatro brasileiros estão entre os últimos a serem soltos, juntamente com duas pessoas da Austrália. A ONG critica o que considera demora e omissão do governo Lula (PT) no diálogo diplomático. O Itamaraty negou falta de atenção ao caso e informou que, por meio da Embaixada do Brasil em Oslo, mantém contato com as autoridades islandesas e presta assistência consular.

A Sea Shepherd Brasil protocolou no Superior Tribunal de Justiça (STJ) um mandado de segurança com pedido de liminar após cobranças ao governo federal. Não há previsão de deportação dos brasileiros. Eles tiveram celulares e outros materiais apreendidos, ainda sem devolução, e estão hospedados no barco Bandero, que atuava no monitoramento da caça. Os detidos são obrigados a se apresentar diariamente às autoridades islandesas.

Cristiane Dornelas, esposa do médico de bordo Rui Amorim, disse que a comunicação com os detidos está difícil. Ela afirmou que a demora na solução aumenta a angústia de amigos e familiares e que até agora não houve um posicionamento efetivo do Itamaraty.

No mundo, apenas Japão, Noruega e Islândia ainda permitem a captura de baleias. Os dois países nórdicos fazem parte da Comissão Baleeira Internacional, que proíbe a prática desde 1986. A baleia-de-minke é o principal alvo na Noruega e na Islândia, que também caça a baleia-fin, o segundo maior animal do planeta. A carne desses animais é vendida na Ásia.

O ativista Paul Watson publicou apoio aos tripulantes detidos e afirmou que a guarda costeira da Islândia “atuou como agentes da ICE”. Watson ficou detido em 2024 na Groenlândia por cinco meses, após um conflito com um navio de caça do Japão em 2010. A Dinamarca rejeitou o pedido de extradição dele para o país asiático.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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