05/05/2026
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Atacarejo sugere a Alckmin pacote contra bets na renda

O vice-presidente Geraldo Alckmin se reuniu com representantes do setor de “atacarejo” na tarde de segunda-feira. Durante o encontro, ele ouviu uma série de propostas para restringir o avanço das bets, especialmente as ilegais, sobre a renda disponível para consumo.

As recomendações foram apresentadas por Belmiro Gomes, CEO do Assaí e presidente do conselho da Associação Brasileira dos Atacadistas de Autosserviço (Abaas). Os membros da associação venderam R$ 370 bilhões no ano passado e afirmam que as plataformas de apostas, junto com o alto endividamento, estão entre os principais responsáveis pela fragilidade do consumo.

A coluna teve acesso à apresentação feita a Alckmin. O documento tem o título “A roda da economia está travando — hoje no consumo e no endividamento das famílias. Amanhã, na economia inteira.” A associação argumentou que “o consumo se partiu em dois” — com expansão dos canais voltados à alta renda e retração dos canais da classe C, fenômeno chamado de “efeito K”.

A apresentação também afirma que o Brasil concentrou mais de um quinto do tráfego mundial para sites de aposta. Diz ainda que “métricas oficiais convivem com uma economia paralela cujo tamanho é subestimado”.

As propostas do setor de “atacarejo” a Alckmin se dividem em duas partes. A primeira é um “horizonte imediato”, com prazo de 12 meses. A segunda é um “horizonte estrutural”, de cinco a dez anos.

No imediato, o setor propõe “quatro vetores de bloqueio integrados” contra bets ilegais: URL, Pix, publicidade e patrocínio cruzado. Pede “restrição firme à publicidade de cassino online, sem afetar quota fixa esportiva regulada”, para preservar clubes. Também sugere o bloqueio do Pix social para CNPJs de bets.

No longo prazo, o setor defendeu uma “política de Estado nos moldes do tabaco”. Argumenta que essa abordagem “reduziu o tabagismo em 74% sem proibir o cigarro” no Brasil ao longo de 35 anos. O “atacarejo” pede ainda que as bets fiquem sob o guarda-chuva do Ministério da Saúde e sejam tratadas como “política sanitária”. A abordagem sugerida inclui “linguagem clínica, foco no dano à família, sem moralismo” e “tratamento de ludopatia via SUS”.

Além de Belmiro Gomes, também participaram do encontro o presidente da Friboi, Renato Costa, e o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC), Roberto Perosa, conforme a agenda oficial de Alckmin.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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