Pela décima vez no Brasil, Angela Davis participa da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) neste sábado (25). Em entrevista no Rio de Janeiro, a escritora e ativista, referência do feminismo, falou sobre supremacia branca, sistema prisional e política nos Estados Unidos.
Davis afirmou que a supremacia branca não está em ascensão no país. “Eles apenas saíram do armário”, disse, referindo-se aos grupos extremistas. Para ela, associar o retorno de Donald Trump à presidência a um apoio da maioria da população é um erro, já que muitos eleitores deixaram de votar.
A ativista defende o fim do sistema carcerário. Ela explicou que a abolição das prisões não minimiza o sofrimento das vítimas de crimes violentos. “A justiça transformativa presta atenção às necessidades da vítima e também às forças sociais que geram a violência”, afirmou.
Davis criticou o uso de reconhecimento facial e algoritmos preditivos na segurança pública. “A base é o racismo estrutural. O policiamento preditivo é projetado para manter as estruturas sociais como estão”, disse.
Sobre o movimento “Defund the Police”, ela avaliou que ele fracassou por causa de intervenções conservadoras, mas que as bases foram lançadas. “O governo Trump não destruiu o desejo de criar uma democracia real”, completou.
A escritora também comentou a causa palestina. Ela afirmou que a tentativa de equiparar antissemitismo à solidariedade palestina é uma tática conservadora. “Pesquisas nos EUA indicam que a maioria se inclina mais para a solidariedade palestina”, disse.
Questionada sobre a fragilidade do movimento progressista, Davis respondeu: “Não estamos organizados da forma que deveríamos. As possibilidades estão aí, mas não encontramos as formas organizacionais para dar expressão a esses sentimentos políticos”.
A ativista participa da programação paralela da Flip no Sesc Caborê, em Paraty, às 18h. Ela estará acompanhada da acadêmica Gina Dent, com quem escreve um livro sobre jazz.
