14/04/2026
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Nova temporada de Euphoria gera polêmica

A série Euphoria retornou ao ar neste domingo, 12 de abril de 2026, sendo descrita como descaracterizada e mais vulgar do que em temporadas anteriores. A produção, que aborda as agruras da adolescência, agora adota um tom de faroeste e tece observações consideradas rasas sobre narcotráfico, prostituição e o sonho americano.

Voltando após um hiato, Euphoria é uma das séries mais influentes dos últimos sete anos, mas também uma produção turbulenta que lançou apenas 18 episódios nesse período. A série alçou vários de seus atores ao estrelato, venceu nove prêmios Emmy e inspirou milhões de adolescentes. Contudo, difere do padrão de sucesso da HBO, conhecida por produções longevas.

O primeiro episódio da nova temporada é marcado por perdas no elenco e na equipe, uma direção considerada descaracterizada e reviravoltas narrativas classificadas como bagunçadas e apelativas. A trama se passa cinco anos após os eventos do final da temporada anterior, exibido em fevereiro de 2022.

A protagonista Rue, interpretada por Zendaya, inicia a vida adulta ainda lidando com o vício. Ela se tornou uma mula de drogas entre Estados Unidos e México para pagar uma dívida antiga, vivendo uma rotina de travessia por paisagens desérticas. Isso define o tom da nova fase: a série não é mais uma história de amadurecimento, mas um faroeste sobre como ganhar dinheiro nos Estados Unidos.

Enquanto Rue navega pelo universo do narcotráfico, a personagem Cassie, vivida por Sydney Sweeney, planeja iniciar uma carreira na plataforma OnlyFans. A motivação, segundo a trama, não seria desespero, mas desejo por atenção e por bens caros em seu casamento com Nate, papel de Jacob Elordi. Nate, por sua vez, tenta conter as vontades da noiva com pouco sucesso, enquanto assume os negócios imobiliários do pai.

Outras personagens seguem caminhos mais tradicionais. Lexi, interpretada por Maude Apatow, tenta brilhar como assistente de direção em Hollywood, sob o comando de uma figura poderosa vivida por Sharon Stone. Maddy, papel de Alexa Demie, trabalha com relações públicas. A ex-adolescente Jules, de Hunter Schafer, aguarda um ponto de virada em sua carreira artística e, para se sustentar, atende às vontades de um homem mais velho, sendo fartamente recompensada.

Os elementos em jogo continuam sendo dinheiro, drogas, aparências e sexo, aspectos já presentes na primeira temporada. No entanto, os episódios antigos eram permeados por uma certa magia, presente nos visuais, nas circunstâncias exageradas ou em planos sequência espetaculares. Para os jovens da trama, aquele subúrbio fictício era um universo completo em si mesmo.

Meia década depois, os personagens não ocupam mais esse mesmo universo. O escopo da série parece difuso e como se continuasse por obrigação, não por uma decisão criativa sólida. Onde existia encantamento, agora prevalece uma vulgaridade considerada pouco surpreendente.

Cenas de nudez, escatologia e violência são criticadas por terem pouco estofo emocional e, portanto, não provocarem o impacto desejado pelo diretor e roteirista Sam Levinson. As personagens são vistas como carentes da humanidade exibida em episódios anteriores considerados pontos altos da série.

O que resta na nova temporada, segundo a análise, são histórias de gângsteres e prostitutas sob o sol da Califórnia, amarradas por ponderações rasas sobre fé e capitalismo. A avaliação final compara a experiência a uma missão ruim do jogo GTA.

A produção de Euphoria para a HBO continua sendo um caso particular no canal, contrastando com seu histórico de séries de longo fôlego. A recepção desta nova fase indica uma mudança significativa no tom e na profundidade narrativa em relação às origens da série.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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