28/04/2026
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CFM alerta: projetos criminalizam atos médicos e partos

Dois projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional podem criminalizar procedimentos médicos relacionados ao parto e prever penas de até 15 anos de prisão. O alerta é do Conselho Federal de Medicina (CFM). Para a autarquia, as propostas geram insegurança na assistência obstétrica e podem afetar decisões urgentes no momento em que mãe e bebê precisam de atendimento.

De acordo com o conselheiro federal Ademar Augusto, o PL 2.373/2023 e o PL 1.763/2025 transformam atos médicos em potenciais crimes com base, segundo ele, em conceitos vagos e subjetivos. “Na prática, isso cria um ambiente de insegurança na sala de parto e deixa mãe e bebê em situação de risco. Procedimentos e intervenções emergenciais podem ser criminalizados. Equipes com capacidade técnica para agir passarão a hesitar diante de condutas necessárias”, afirma.

Segundo ele, o Brasil já possui mecanismos legais para punir negligência, imprudência e imperícia. Para o CFM, a criação de novos tipos penais não amplia a proteção à mulher e pode comprometer o acesso à assistência segura. “O CFM é contrário a esses projetos. Criminalizar a obstetrícia compromete a atuação médica e coloca em risco toda a sociedade. Proteger a mulher e o bebê é garantir acesso à assistência qualificada, com equipes capacitadas e responsabilidade técnica para agir com segurança”, conclui.

O CFM também disponibilizou um vídeo com a posição oficial sobre o assunto. A autarquia reforça que a criação de novos tipos penais não é o caminho adequado para garantir a segurança obstétrica. O debate ocorre em meio a preocupações com a judicialização da medicina e o impacto de leis vagas sobre a prática médica diária, especialmente em situações de emergência no parto.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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