A Rodoviária do Plano Piloto completa nesta segunda-feira (1º/6) o primeiro ano de concessão à Concessionária Catedral com uma mudança na percepção dos usuários. De acordo com pesquisa do Instituto Opinião, a aprovação do terminal subiu de 45,61% para 86,13% no período. O levantamento ocorreu em meio a intervenções na infraestrutura, melhorias na acessibilidade e reforço na segurança.
Cerca de 700 mil pessoas circulam diariamente pela rodoviária, entre passageiros e trabalhadores. No modelo de gestão atual, a concessionária cuida da infraestrutura. A Secretaria de Transporte e Mobilidade do Distrito Federal (Semob-DF) mantém o controle do sistema de transporte, com regulação, operação dos ônibus e política tarifária sob comando público.
Entre as mudanças citadas estão a recuperação das escadas rolantes e dos elevadores, que agora passam por manutenção preventiva 24 horas. Também foi implantado um novo Centro de Controle Operacional (CCO), com 62 câmeras de videomonitoramento e reconhecimento facial. A avaliação positiva da segurança subiu de 32,70% para 85,89%.
O administrador da Rodoviária, Leonardo Moreira, afirmou que as 12 escadas rolantes foram modernizadas e que os elevadores voltaram a funcionar. Segundo ele, quando um equipamento para, a manutenção consegue recolocá-lo em operação em cerca de 10 minutos. Moreira disse ainda que o índice de vandalismo caiu quase a zero.
A concessionária informou ter iniciado a reforma dos banheiros e concluído a recuperação dos pilares. Equipes seguem trabalhando em vigas e lajes. Após essa etapa, começará a construção do novo terminal do BRT, de acordo com Moreira.
As melhorias em acessibilidade e organização dos espaços mudaram a rotina do terminal. Passageiros e profissionais de educação inclusiva relataram avanço no deslocamento, com menos obstáculos nos corredores e menor interferência de ambulantes. Manoela Suzart, mãe de uma criança cadeirante, disse que hoje se sente mais segura ao circular pelo local. Karina Gonçalves, professora de Orientação e Mobilidade do Centro de Ensino Especial de Deficientes Visuais (CEEDV), afirmou que o trabalho com alunos ficou mais viável após a modernização.
Na área comercial, a nova gestão abriu diálogo com antigos ambulantes, em parceria com órgãos do GDF e com o Sebrae, para regularização das atividades. O terminal passou a ter 150 lojas, que geram emprego para cerca de 450 trabalhadores. Os comerciantes deixaram a condição de permissionários para atuar como locatários.
Entre os regularizados está Alex Alves, vendedor de açaí, que trabalhou informalmente por 15 anos e hoje opera com carrinho padronizado e legalizado. Aduir da Silva, que vende salgados há 19 anos na rodoviária, também relatou mudança após a formalização, com mais tranquilidade para trabalhar e seis empregados em seu quiosque.
Nos últimos 12 meses, o terminal ganhou novos serviços de acolhimento. Foram instalados sala multissensorial para pessoas com transtorno do espectro autista (TEA), fraldário e o Cantinho do Desabafo, para suporte emocional gratuito. Em novembro, foi inaugurada uma sala de amamentação no banheiro feminino do piso inferior, com pia, chuveirinho, trocador, micro-ondas e assentos.
A concessionária mantém um canal de comunicação com o público pelo e-mail [email protected], para sugestões, elogios ou críticas.
